Risco de Depressão Tardia Aumenta em Sobreviventes de Câncer de Mama, Próstata e Colorretal

Um grande estudo norte-americano envolvendo mais de 53 mil sobreviventes de câncer revelou que a depressão pode surgir muitos anos após o fim do tratamento oncológico — especialmente entre idosos que superaram câncer de mama, próstata e colorretal. Os pesquisadores analisaram dados do programa SEER-Medicare e acompanharam sobreviventes por até 10 anos após o diagnóstico, identificando fatores que aumentam o risco de depressão tardia.

Segundo os autores, a prevalência de depressão já é maior entre pacientes com histórico de câncer, mas faltavam informações sobre quem está mais vulnerável ao surgimento tardio do transtorno — isto é, 5 a 10 anos após o diagnóstico inicial.

Principais Resultados

O estudo analisou 13.265 sobreviventes de câncer de mama, 26.979 de próstata e 13.525 de câncer colorretal, todos com 66 anos ou mais no diagnóstico. A incidência de depressão tardia variou entre os tipos de câncer:

  • 13,3% em sobreviventes de câncer de mama
  • 8,7% em sobreviventes de câncer de próstata
  • 11,8% em sobreviventes de câncer colorretal

Os fatores de risco mais importantes identificados foram:

  • Elegibilidade conjunta para Medicare e Medicaid (marcador de vulnerabilidade socioeconômica)
  • Maior número de comorbidades médicas
    – Aumentou o risco em 33% para câncer de mama,
    79% para câncer de próstata,
    – também elevado em câncer colorretal.
  • Diagnóstico prévio de ansiedade, o fator isolado mais fortemente associado ao risco:
    – Até 3 vezes mais risco em sobreviventes de câncer de próstata.

Além disso, sobreviventes classificados no tercil de alto risco tiveram o dobro da incidência de depressão em comparação aos de baixo risco.

Disparidades Raciais e Socioeconômicas

Embora indivíduos asiáticos, hispânicos e negros tivessem menor risco estatístico de depressão, um número proporcionalmente maior foi classificado no grupo de alto risco, sugerindo que fatores socioeconômicos podem amplificar vulnerabilidades.

Implicações Clínicas

Os autores destacam que, conforme os sobreviventes deixam o acompanhamento oncológico e retornam ao sistema de atenção primária, modelos de cuidado baseados em estratificação de risco podem:

  • identificar precocemente os grupos mais vulneráveis;
  • direcionar intervenções preventivas;
  • reduzir disparidades no acesso a tratamento e rastreamento de depressão.

Conclusão

O estudo reforça a necessidade de vigilância prolongada da saúde mental em sobreviventes de câncer, especialmente aqueles com vulnerabilidade social, múltiplas comorbidades ou histórico de ansiedade. Os achados mostram que os efeitos psicológicos do câncer podem emergir muitos anos após o término do tratamento, exigindo políticas de saúde que integrem oncologia, atenção primária e saúde mental.

Referência

Taylor M, Westvold SJ, Long JB, et al. Risk of Late-Onset Depression in Long-Term Survivors of Breast, Prostate, and Colorectal Cancer. JAMA Netw Open. 2025;8(11):e2544812. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.44812