Uma análise de custo-efetividade baseada em modelagem econômica sugere que a duloxetina na dose de 120 mg oferece o melhor valor econômico entre as principais opções farmacológicas para o tratamento da fibromialgia moderada a grave, superando a amitriptilina e outros fármacos aprovados pela agência regulatória norte-americana. O estudo foi publicado no JAMA Network Open.
A investigação utilizou um modelo de decisão do tipo Markov para estimar custos ao longo da vida e anos de vida ajustados por qualidade (QALYs) associados ao uso de amitriptilina, pregabalina, duloxetina e milnaciprano em adultos com fibromialgia. As análises foram conduzidas sob duas perspectivas distintas: a do sistema de saúde dos Estados Unidos e a societal, que incorpora custos indiretos, como perda de produtividade.
Duloxetina Lidera em Ganho de Qalys com Baixo Impacto Incremental de Custos
Do ponto de vista do pagador em saúde, apenas a amitriptilina e a duloxetina 120 mg permaneceram na chamada “fronteira eficiente”. A duloxetina em dose plena foi associada a maior ganho de QALYs em relação à amitriptilina (10,40 vs 9,99), com um custo incremental modesto, resultando em uma razão de custo-efetividade incremental (ICER) de US$ 1.536 por QALY — valor amplamente abaixo dos limiares usualmente aceitos.
Todas as demais estratégias avaliadas, incluindo doses mais baixas de duloxetina, diferentes esquemas de pregabalina e milnaciprano, mostraram-se dominadas, ou seja, mais caras e menos eficazes do que pelo menos uma alternativa comparável.
Perspectiva Societal Reforça Vantagem da Duloxetina e da Pregabalina em Dose Intermediária
Quando custos indiretos foram incorporados à análise, a duloxetina 120 mg tornou-se a estratégia dominante, combinando maior ganho em QALYs com menor custo total ao longo da vida. Nessa perspectiva, a pregabalina 450 mg também apresentou melhor desempenho econômico do que a amitriptilina, embora tenha sido superada pela duloxetina.
Esses achados refletem o impacto substancial da fibromialgia sobre a produtividade laboral e o funcionamento social, indicando que tratamentos capazes de reduzir a intensidade dos sintomas podem gerar economias relevantes fora do setor estritamente assistencial.
Amitriptilina Supera Diversas Alternativas, Mas Perde Eficiência em Cenários Ampliados
Apesar de seu baixo custo e uso histórico, a amitriptilina demonstrou desempenho inferior à duloxetina 120 mg em termos de custo-efetividade. Ainda assim, manteve vantagem econômica sobre diversas estratégias amplamente prescritas, incluindo milnaciprano e doses menores de pregabalina e duloxetina, que se mostraram menos eficazes e mais onerosas.
Segundo os autores, esse achado levanta questionamentos sobre padrões atuais de prescrição e decisões de incorporação em listas de medicamentos, que nem sempre refletem a melhor evidência econômica disponível.
Incertezas e Implicações Clínicas
As análises de sensibilidade indicaram incerteza considerável nos resultados, especialmente relacionada aos valores de utilidade atribuídos aos estados de dor moderada e grave. Ainda assim, a duloxetina 120 mg apresentou a maior probabilidade de ser custo-efetiva em ampla faixa de limiares de disposição a pagar.
Os autores destacam que decisões terapêuticas devem considerar, além do custo-efetividade, fatores como perfil de efeitos adversos, comorbidades, tolerabilidade e variabilidade individual de resposta.
Conclusão
Esta análise econômica sugere que a duloxetina em dose de 120 mg representa a opção farmacológica de maior valor para o tratamento da fibromialgia moderada a grave, especialmente quando considerados os custos sociais da doença. Os resultados reforçam a importância de integrar evidências clínicas e econômicas no planejamento terapêutico e na formulação de políticas de saúde.
Referências
- Downen SS, Farag HM, Davies A, Okeke CM, Ben-Umeh KC, Yunusa I, et al. Cost-effectiveness of pregabalin, duloxetine, and milnacipran vs amitriptyline for moderate to severe fibromyalgia. JAMA Netw Open. 2026;9(2):e2557536. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.57536.





