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Introdução: A qualidade de vida de indivíduos com TDAH
O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é caracterizado por desatenção inadequada e prejudicial ao desenvolvimento e/ou impulsividade hiperativa, que interferem no funcionamento geral da vida cotidiana. De fato, os principais sintomas do TDAH, juntamente com problemas mentais e físicos associados – especialmente se não forem prontamente gerenciados – podem afetar a qualidade das interações e relacionamentos sociais e a qualidade de vida geral em pessoas com TDAH
O Estudo: efeito da medicação sobre a qualidade de vida
Pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise para quantificar o efeito da medicação para transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) na qualidade de vida (QV) e entender se esse efeito difere entre estimulantes e não estimulantes. A partir do conjunto de dados de uma meta-análise publicada e atualizada em 27 de fevereiro de 2023, foram identificados ensaios clínicos randomizados (ECRs) de medicamentos para TDAH para indivíduos com 6 anos ou mais com diagnóstico de TDAH com base no DSM (da terceira à quinta edições) ou na Classificação Internacional de Doenças (CID; nona ou décima revisão), relatar dados sobre QV (medidos através uma escala validada). O risco de viés para cada ECR foi avaliado usando a ferramenta Cochrane Risk of Bias 2. Foram incluidos 17 ECRs (5.388 participantes no total; 56% randomizados para medicação ativa) nas metanálises
Principais achados: melhora na qualidade de vida
Verificou-se que as anfetaminas, metilfenidato e atomoxetina foram significativamente mais eficazes do que o placebo na melhora da qualidade de vida em pessoas com TDAH, com tamanho de efeito moderado.
- Anfetaminas: Mostraram um tamanho de efeito moderado na melhora da qualidade de vida em comparação com o placebo (g de Hedge = 0,51).
- Metilfenidato: Também demonstrou um tamanho de efeito moderado na melhora da qualidade de vida em comparação com o placebo (g de Hedge = 0,38).
- Atomoxetina: Mostrou um tamanho de efeito menor, mas significativo, na melhora da qualidade de vida em comparação com o placebo (g de Hedge = 0,30).
Conclusão: efeitos além do controle dos sintomas
Além de serem eficazes na redução da gravidade dos principais sintomas do TDAH, os medicamentos estimulantes e não estimulantes são eficazes na melhoria da qualidade de vida em pessoas com TDAH, embora com tamanhos de efeito menores. Pesquisas futuras devem explorar se, e em que grau, a combinação de intervenções farmacológicas e não farmacológicas provavelmente melhorará ainda mais a qualidade de vida em pessoas com TDAH.
Limitações e Sugestões para Estudos Futuros
Nenhum viés de publicação foi detectado, mas uma heterogeneidade significativa foi observada nas metanálises. Os pesquisadores sugerem que pesquisas futuras explorem os efeitos combinados de intervenções farmacológicas e não farmacológicas na qualidade de vida em pessoas com TDAH, bem como incluam a QV como desfecho primário do tratamento em futuros ECRs e harmonizar o uso de instrumentos de QV na prática clínica e na pesquisa.
Referência
Bellato A, Perrott NJ, Marzulli L, Parlatini V, Coghill D, Cortese S. Systematic Review and Meta-Analysis: Effects of Pharmacological Treatment for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder on Quality of Life. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2025 Mar;64(3):346-361. doi: 10.1016/j.jaac.2024.05.023. Epub 2024 May 30. PMID: 38823477.