Lipoproteína(a): O Fator de Risco Cardiovascular Esquecido? – DrHub

Lipoproteína(a): O Fator de Risco Cardiovascular Esquecido?

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A lipoproteína(a) – Lp(a) vem emergindo como uma peça-chave na prevenção cardiovascular moderna. Geneticamente determinada e altamente prevalente — afetando entre 20% a 25% da população mundial — ela está associada a um risco duas a três vezes maior de infarto do miocárdio, estenose aórtica e AVC, mesmo em indivíduos sem fatores de risco tradicionais. Ainda assim, o exame para dosagem de Lp(a) segue amplamente negligenciado na prática clínica, presente em menos de 0,3% dos pacientes avaliados em grandes centros acadêmicos. Este artigo, publicado no American Journal of Preventive Cardiology, propõe uma mudança radical: tornar o rastreamento da Lp(a) universal e obrigatório pelo menos uma vez na vida.


Por Que a Lp(a) é Tão Importante?

A Lp(a) é composta por uma lipoproteína semelhante ao LDL ligada a uma apolipoproteína(a), cuja estrutura influencia sua concentração e comportamento aterogênico. Pessoas com níveis elevados (>50 mg/dL ou >125 nmol/L) apresentam risco cardiovascular semelhante aos portadores de hipercolesterolemia familiar. Valores extremamente altos (>180 mg/dL) podem triplicar o risco de eventos cardíacos.

Além de sua ligação com infarto e AVC, a Lp(a) está implicada em doenças vasculares periféricas, estenose valvar aórtica e aneurismas de aorta abdominal. Com essa ampla associação, seu rastreamento oferece oportunidade de identificação precoce e manejo personalizado do risco cardiovascular.


Quem Deve Ser RastreadO – E Quando?

Os autores defendem que:

✔ Todo adulto deve dosar Lp(a) pelo menos uma vez na vida.
✔ Crianças com histórico familiar de doenças cardiovasculares prematuras, obesidade, diabetes ou suspeita de hipercolesterolemia familiar devem ser avaliadas.
✔ Pacientes com Lp(a) entre 30–50 mg/dL devem repetir o exame em casos específicos, como menopausa, doença renal crônica ou hipotireoidismo.

O estudo também recomenda rastreamento em cascata familiar, dada a hereditariedade de 90% da Lp(a) — ou seja, familiares de primeiro grau de indivíduos com Lp(a) elevada devem ser testados.


O Desafio da Medição e o Futuro das Terapias

Embora a dosagem da Lp(a) tenha se tornado mais precisa com novos testes “isoform-insensíveis”, ainda há falta de padronização global. Além disso, não há tratamentos específicos aprovados atualmente, embora terapias inovadoras, como siRNA e a aférese lipoproteica, já estejam mostrando promessas.


Estamos Prontos para Mudar o Paradigma Cardiovascular?

Com um risco cardiovascular tão alto e tão prevalente, por que a Lp(a) continua fora dos check-ups de rotina? Será que estamos negligenciando um dos principais fatores de risco cardiovascular por falta de informação, diretrizes claras ou tecnologia acessível? Com novas terapias a caminho e diretrizes internacionais pressionando por ação, estamos diante da próxima grande virada na prevenção cardiovascular — ou de mais uma oportunidade perdida?

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